Empresários e fiéis

Empresas, Igrejas, Crentes e Mercado

O número de protestantes/evangélicos no Brasil tem crescido ao longo dos anos. Hoje, somos mais de 10% da população e atrelado a esse crescimento, houve também o crescimento no número de consumidores e empresas de protestantes. Porém, o que tal crescimento trouxe em benefício para o mercado? O mercado tem sentido a presença de Deus nos empresários protestantes? O mercado tem visto os modos cristãos nos consumidores evangélicos?

Vamos primeiro ver as empresas de protestantes. A questão de como o mercado tem visto os empresários e empresas evangélicas pode ser respondida com “de forma não muito agradável”. Mas porque? Porque infelizmente muitos empresários protestantes não tem dado o devido testemunho no mundo dos negócios: eles trapaceiam, eles mentem, eles sonegam impostos, eles não pagam seus funcionários e fornecedores adequadamente e ainda assim, fazem questão de ressaltar que são crentes.

Mas, onde será que está o problema nisso, aliás, “todo mundo” faz esse tipo de coisa? O problema está no pecado: trapacear é pecado (Levítico 25.14; 1ª Tessalonicenses 4.3); mentir é pecado (Levítico 19.11; Apocalipse 22.15) e quem o faz é filho do diabo (João 8.44); sonegar impostos é pecado (Mateus 22.17-21); não pagar adequadamente funcionários é pecado (Lucas 10.7); não pagar fornecedores é roubar e roubar é pecado (Levítico 25.14; Êxodo 20.15). E quem pensa que aquilo que “todos” fazem, o comportamento padrão do mundo é correto, deveria dar uma lida em 1ª João 2.15-16. Muitos dos empresários que se encaixam nesses perfis, o fazem com a desculpa de que se não o fizerem, suas empresas não irão lucrar. Isso é mentira pois há empresas de cristãos que não usam de meios pecaminosos para existir, para lucrar. Seus donos apenas confiam na providência divina e trabalham de maneira honesta, principalmente porque não fomos chamados para lucrar, vender, comprar, ganhar, etc e sim para pregar o evangelho a toda a criatura (Marcos 16.15) e seguir os ensinamentos do Mestre (João 15.14), buscando em primeiro lugar as coisas do Reino dos Céus (Mateus 6.33).

Bom, agora que sabemos sobre as empresas de crentes, vamos ver sobre os consumidores crentes. Infelizmente, o mesmo problema que existe no meio dos empresários cristãos, assola também os consumidores cristãos: muitos consumidores se esquecem de quem servem e mentem, são inadimplentes e trapaceiam, envergonhando assim o nome de Cristo. Na cidade em que moro já vi muitos comerciantes se recusarem a receber cheques de clientes que se dizem crentes, pois o número de cheques sem fundos passados por evangélicos é simplesmente catastrófico. Como vimos acima, mentir, trapacear, comprar e não pagar se constitui em pecado. Logo, porque existem cristãos que insistem em se comportar de tal maneira? Será que eles realmente servem a Cristo ou na verdade, o usam como escudo para seus próprios propósitos?

Além desse problema há outro: o consumismo, o extremo desejo de ter, apenas para ter sem qualquer necessidade ou utilidade relacionada, para satisfazer uma suposta necessidade de prazer ao comprar, para mostrar, exibir o poder financeiro para outras pessoas  se constituí nos pecados da cobiça e inveja, ambos frutos da carne, que são exatamente os frutos que o cristão não deve ter (Gálatas 5.19-26). Isso claro, sem contar com o fato de que o consumismo está diretamente relacionado aos problemas ecológicos que estamos passando e vamos continuar passando por um bom tempo, ou seja, além de pecado, destrói o planeta em que vivemos.

Há ainda outro ponto sobre o consumidor protestante que é com ele vê as empresas que seus irmãos possuem. A verdade é que ele geralmente não vê. Pergunto a você mesmo, caro leitor(a): em sua igreja há empresários? Se sim, você os conhece? Conhece as empresas deles? Se o serviço ou produto que eles oferece pode ser consumido por você, você é cliente deles? Não vou supor respostas a essas questões. O fato é que na maioria dos casos os irmãos não sabem que outros irmãos tem empresas e quando sabem, não se importam, mesmo quando podem vir a ser clientes de seus próprios irmãos. É conhecido que a maioria dos cristãos preferem produtos e serviços de não cristãos.

É devido a fatos como esses que o mercado, formado em sua maioria por pessoas não protestantes, tem criado uma certa resistência aos produtos, serviços, empresas e clientes evangélicos. Exatamente por não verem o Deus ou as ações que esses pregam em suas vidas, em suas ações. O exemplo é importante. Pregar o evangelho a toda criatura é feito também através de exemplos, de uma vida exemplar, que vive o que prega e sinceramente, essa é a maior pregação que fazemos.

Agora que sabemos sobre tais fatos, o que podemos fazer? Que tal começar a mudança já na igreja. É isso mesmo, na igreja, afinal, elas são a ponte entre empresários e consumidores cristãos. E o que elas andam fazendo? Elas ensinam a seus membros como agir no mundo dos negócios? Como ser um consumidor que não desagrada ou envergonha nosso Deus? A resposta é não. Geralmente as igrejas estão mais preocupadas com seus problemas internos do que no crescimento espiritual de seus membros e ao escrever isso, me vem a mente um tipo de igreja que tem crescido ultimamente (e que é uma praga): a igreja empresa. Pra não entrar em muitos detalhes, pois isso é assunto pra outro artigo, vou apenas ressaltar que a igreja empresa geralmente se preocupa com seu crescimento numérico, empregando pra isso, técnicas comuns do mundo empresarial, como plano de metas, marketing, etc. Obviamente em tais “igrejas”, o foco não é qualidade e sim quantidade e é exatamente dessas “igrejas” que saem a maioria dos “belos” exemplos de cristandade que empresários e consumidores cristãos tem mostrado ao mundo. O que pretendo com isso? Mostrar pra você, caro leitor(a), que faz parte da liderança de uma igreja que compete a você também mudar o quadro sombrio descrito anteriormente. Ensine aos seus empresários como ser um empresário que em primeiro lugar, agrade a Deus. Ensine aos seus consumidores (o que inclui você mesmo), como comprar de maneira a louvar o Altíssimo. E você, membro de uma igreja, empresário ou consumidor, esteja atento aos ensinamentos dos seus líderes e sempre verifique a veracidade dos mesmos diante da Bíblia. Observe as histórias de homens como Abraão, Isaque, Davi e muitos outros que mesmo abençoados com riquezas materiais, não se esqueceram de quem serviam e agiram segundo o que Deus lhes ordenara.

É claro que existem muitos empresários e consumidores cristãos que agem segundo a vontade de Deus, porém, eles são minoria. Nossa tarefa agora é exatamente transformar tal minoria em maioria e se possível, em totalidade. Se todos fizerem sua parte, isso acontecerá.

Em Cristo,
Johnatas

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